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Abandono

Depois que lhe mordeu a mão foi abandonado. Ausente ficou; sem domicílio, sem prato. Do amor prometido restou um gemido, a distância fazendo esquecer o que não foi cumprido. Ficou num canto vazio numa noite de frio, a aprender, às custas do sofrer, que os sentimentos também têm suas estações, seus segredos, surpresas e decepções. Querendo entender do desengano e do abandono, enquanto o presente cobrava seus planos não mais necessários. As notas da agenda que marcavam datas a não ser comemoradas de dias que não seriam vividos como esperado. A esperança abandonou o lugar, cansou de esperar. Tornou-se uma confusão de tempos, o passado arrastando a atenção para as memórias, o futuro cobrando as expectativas ilusórias, o presente lembrando a fome pungente da falta inerente daquilo sem o qual a gente deixa de ser gente.

Desistiu de dizer, disse que iria pensar, e no papel a amarelar ficaram as notas daquela música que nunca mais pôde cantar.

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Publicado por em 16 abril, 2013 em General

 

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Sacrifício

Espera

De costas ele seguia após a despedida… fitando a silhueta distante ela podia sentir não somente o vento frio do fim de tarde, mas a dor de uma escolha. O sol se pondo não mais inspirava romance… Deixou sim a lembrança das vezes que sorrindo olhou para o mesmo quadro.

Não importaria o nome que se desse a este sentimento, seriam todos apenas nomes, nenhum poderia traduzir numa folha de papel ou em meras palavras a dor de um sacrifício, salvar um coração e matar uma esperança. O equilíbrio da vida dá e tira ao mesmo tempo, leva e traz… Só não sabemos quando vamos ter de volta tudo o que desejamos, resta contentar-se com o suficiente, o necessário.

Quantos sacrifícios a mais seriam necessários para aprender, para fazer a escolha certa, para evitar sofrer, para aprender e perceber tão rápido quanto possível o que realmente deseja? Quanto tempo mais só irá caminhar neutra por tantas esquinas e tantos desencontros até poder superar suas dores? Quanto tempo poderá durar a noite de pobres cores, de nuvens e mistérios… De silêncio e solidão até que um novo Sol venha a trazer luz para seu dia?

Deixando os braços caírem, os olhos voltados para o chão… Tempo. Entregando no tempo volta-se para o que pode lhe ser mais produtivo no momento, volta-se para uma atividade racional, automática, instantânea, necessária… Lógica. Novamente o equilíbrio, o coração e a mente lutando por seu espaço, tentando pensar, tentando sentir.

Disse tudo, abriu o jogo, contou sua história, viveu sua vida… Sentiu, e caiu, jogou-se… Machucou-se. Machucou. Persistem as perguntas, comparando as dores, medindo as perdas, sentindo as faltas, esperando…

“Tudo o que fazemos enquanto não estamos construindo, criando e pensando é esperar”, pensou.

 
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Publicado por em 12 dezembro, 2007 em Vida

 

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