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08 jun

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Hoje falo de marcas. Sinais que construo em decorrência das experiências. Marco os que consigo identificar, seja alguém como chato, outro como simpático. Aquela pode ser extravagante enquanto outra, um ponto de interrogação. São marcas, são sinais… Identificadores de uma experiência particular; coisas que, no final do dia, me dizem mais que o nome ou a popularidade das pessoas que chego a conhecer.

Mas o que provoca estas marcas? Quais suas causas? São elas justas ou não? Importa pensar sobre isso? Que ganho? Perco?

Estas marcas parecem ser desenhadas aos poucos, traço a traço, dia após dia… como tatuagens. Tatuagens são feitas para simbolizar, no corpo, uma experiência do espírito: a dor de uma perda marcada para sempre, a lembrança de uma cicatriz escondida, a esperança de uma vida nova, a passagem de uma perspectiva para outra etc. Momentos de transição, de choque, de impacto, de espanto.

Se tudo fosse tranquilo, se nada abalasse meus dias… que monotonia! Se não me espantasse com a morte, tudo seria serenamente repetitivo. Evitando o sentir, como aprenderia a pensar? O choque vem para me provocar, para me fazer igual a qualquer outro como ser sensível ao mundo, marcado por minhas escolhas. Há como ser indiferente a isto?

De uma forma ou de outra, percebo uma beleza peculiar à dor, pouco sensível aos extremamente alegres ou divertidos, pouco perceptível aos míopes ou sonhadores extremos, pouco evidente aos entretidos e alienados por opção. E só através da aceitação das perdas foi que desenvolvi tolerância às dores, só então que consegui pensar sobre esta ideia tomada como um mal qualquer, só então que evitei me divertir para não sentir o que me incomodava.

A dor que rompe com a rotina deixa suas impressões no espírito. Querendo evit-ala, evito sentí-la mas não conseguiria viver feliz com um constante medo de sofrer, seria para mim mais torturante que as dores eventuais, das dores que me ensinam, me fortalecem, me põem à prova e que me tatua, me marca.

Aceitando estas marcas, transformo o desejo imperativo de vencer em um conceito colaborativo de compreender. A mudança presente na natureza me serve como exemplo de que não dá pra ficar sempre do mesmo jeito.

Tatuagens

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Publicado por em 8 junho, 2012 em Aprendizado, General, Vida

 

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