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Instantâneo…

07 jun

Há uma nova crise: uma crise do instantâneo. Instantâneo é tudo o que está pronto para uso conforme sua medida particular. Para as medidas do presente, poderia-se dizer que instantâneo é algo que esteja preparado em cinco minutos, no máximo. É assim que eu pretendo escrever este texto, em cinco minutos. É um texto instantâneo… Ao menos assim posso me isentar de devaneios ou incoerência e deslizes.

Esta crise da qual falava (a do instantâneo) me atinge. Claro que sim! Se não me atingisse como eu poderia estar me propondo um post em cinco minutos? Melhor ainda, por que razão eu me faria tal proposta e acataria sem antes verificar suas possibilidades?

O que pode-se descobrir em cinco minutos de uma vida? Por que razão os cinco primeiros minutos são considerados tão importantes? Que necessidade de causar boa impressão é esta? O que cinco minutos dizem de tua vida? O que podemos escolher em cinco minutos? O que conseguimos aprender em cinco minutos? E principalmente, por que minutos?

Definitivamente não consigo medir minha vida em minutos, minha unidade mínima é o dia. E mesmo assim ainda fico desatualizado por não assistir tanta tV quanto “deveria” ou der tantos “jornais” quanto poderia. Me abstenho das notícias que se afastam de minha realidade, me atenho aos minutos que fazem parte do meu dia.

Quatro minutos passados e o que sei de cinco minutos? O que sabes dos meus cinco minutos? Quem poderia responder qualquer questão em tão pouco tempo onde só o tempo de cada um pode contar?

Quem sabe meus cinco minutos durem cinco dias,
Willy

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6 Comentários

Publicado por em 7 junho, 2010 em Cotidiano, General, Vida

 

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6 Respostas para “Instantâneo…

  1. Magdala

    7 junho, 2010 at 8:32 PM

    Esse post me lembrou de uns textos de um sociólogo que li outro dia na faculdade: Zygmunt Bauman, não sei se você conhece. Isso de crise do instantâneo me levou a pensar na fragilidade dos laços humanos, nos relacionamentos de bolso, nessa vida de descartes excessivos em que vivemos… 😐

     
    • Wilhelm

      7 junho, 2010 at 9:48 PM

      Sim, a sociedade, o amor, a realidade líquida (ou gasosa) de Baumann não me é estranha. É uma realidade evanescente, mas é a realidade que temos. O que ele diz não muda o que é, apenas revela o que não era visto. O que se vê que antes não se via não existia. As coisas passam a ser no momento em que as tomamos em consideração, em que as consideramos. Hoje considera-se muito pouco de quase tudo… De fato, nada mais evanescente do que a falta de exemplos sólidos e duráveis. Mas eis o que temos de durável: a inconstância, a inconsistência, a imprevisibilidade… Um tanto de caos, mas nada que Heráclito não tenha dito antes de todos nós.

       
  2. bete

    8 junho, 2010 at 12:19 AM

    desconfio que essa “crise do instantâneo” tenha a ver com essa coisa de acreditar que “tempo é dinheiro”.

    só consegui levantar essa hipótese em 5 minutos.

     
    • Wilhelm

      10 junho, 2010 at 11:19 PM

      Mas instantâneo pode ser a comida, o eletrodoméstico, a vontade de realização de um desejo, um impulso qualquer… onde fica a parte do dinheiro?

       
      • bete

        11 junho, 2010 at 2:25 AM

        talvez, por exemplo, durante a Idade Média as pessoas se relacionassem com o tempo de uma outra forma, menos urgente. talvez o modo de ver o tempo tenha se modificado com o processo de industrialização, com os novos valores pertinentes a uma sociedade de consumo, o que se exacerbou com as novas tecnologias e a internet. o que eu compro hoje amanhã já pode estar ultrapassado. O que leva pessoas a produzirem novas tecnologias de forma tão veloz?

        quando se é criança e se quer uma coisa qualquer, muitas vezes se quer naquele exato momento, e quando, por algum motivo, aquele desejo não é satisfeito é comum que a criança chore. Depois, com a experiência, ela vai aprendendo que chorar não é a melhor solução e que ela precisa negociar com seu desejo, que pode não ser possível de ser realizado naquele exato momento, mas que pode muito bem se concretizar futuramente.
        Como as crianças inseridas nessa crise social do instantâneo lidam com seus desejos que não podem ser satisfeitos no agora?…

         
  3. Duda

    12 junho, 2010 at 12:56 PM

    “…Pois você não sabe quanto vale 5 minutos,
    na vida!”

    (Jorge ben)

     

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