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Auto-ajuda

18 dez

Differences

Quando penso em auto-ajuda tento encontrar uma definição para esta “categoria”. O livro God is My Broker (“Deus é meu Agente”) afirma, “O único modo de se tornar rico com um livro de auto-ajuda é escrever um”.

Fórmulas, receitas, exemplos, estatísticas “arredondadas”, pseudo-ciência, exemplos que dependem de lugares, pessoas e culturas diferentes sendo espalhados aos quatro ventos como um “padrão” absurdo que a ignorância insiste em adotar como plausível de uma reação maior do que a do ridículo.

A receita do sucesso que oferece dinheiro em troca de uma boa índole adquirida em troca de dinheiro. É praticamente um paradigma: “Dê-me dinheiro que te ensino a ganhar dinheiro”.

Não consigo dar crédito à obra literária que considera fórmulas para uma ação e sub-entende critérios para uma reação, aliás, pouco me acrescenta além de entretenimento. O que vejo mostra-se uma novela escrita, pseudo-romance; não é fato, é chance. São meros ensaios de possibilidades um dia vividas, de sucessos que dependeram de tudo o que já se tem conhecimento: perseverança, objetivos, paciência, compreensão, diálogo, sacrifício, etc. Tantos fatores quanto possíveis forem as possibilidades de se imaginar a mesma história contada de tantas formas diferentes. A literatura do retrato de uma vida pré-determinada.

Ainda considero muitas destas obras como um insulto à leitura que busca o prazer de interpretar o drama humano através de UM ponto de vista. Ingenuidade? Preguiça de pensar? O perigoso atalho da floresta? O caminho das pedras, o mapa do tesouro, a fórmula da felicidade. Quanta ironia! “Ganhe milhões sonhando!”

Como decido? Eu pergunto! … encontro as respostas através do questionamento e do diálogo, e não da adivinhação. Somos pessoas, pensamento vivo: comunicação e expressão. O gesto mais puro e sublime de uma criança sorrindo de braços estendidos ainda me toca mais do que as mais coerentes palavras do maior sábio que não soube abraçar os que amou. Fazer ainda me ensina mais do que falar.

Bons Ventos,
Willy

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3 Comentários

Publicado por em 18 dezembro, 2007 em Cotidiano, Vida

 

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3 Respostas para “Auto-ajuda

  1. Andrea Carolino

    19 dezembro, 2007 at 11:53 AM

    Ih, nunca mais tinha aparecido por aqui (culpa dos festejos de formatura e minha empolgação com os mesmos)!!
    Auto-ajuda… Sempre achei esse tipo de literatura meio bizarra. Tudo parece tão fácil, é descrito de uma forma tão simples que às vezes nos questionamos “poxa, porque não pensei nisso antes?”
    Mas sabemos que a realidade é bem diferente!!! O que serviu para mim, provavelmente não terá o mesmo efeito satisfatório para você; e como mesmo colocou sabiamente “São meros ensaios de possibilidades um dia vividas, de sucessos que dependeram de tudo o que já se tem conhecimento: perseverança, objetivos, paciência, compreensão, diálogo, sacrifício, etc.”
    Ah, sem falar que muitos desses autores deveriam mudar de categoria: de auto-ajuda para auto ajude-me!!!!
    E como já dizia minha avó: cada cabeça é um mundo diferente!!

    (Meio sem inspiração hoje, talvez tenha escrito meia dúzia de palavras sem nexos)
    Hehehehehehe, mas ta valendo!

     
  2. Robson Muniz

    18 fevereiro, 2009 at 8:08 PM

    Amigos, vejo que vao pela cabeças dos outros, e que nao tem uma ideia formada… Vamos aos fatos:
    O tal livro acima descrito é contra a auto ajuda, isto deu para notar… Mas seria a favor de que? o que tenta mostrar? Limitações? Para mim se trata de um autor fracassado na vida,concordo que em todas as areas há charlatões.
    Mas o que dizer de casos como o do Anthonny RObbins, que modificou atraves de seus ensinamentos inumeras vidas, a começar pela dele, depois a minha e de tantos outros?
    Meus caros contra fatos nao há argumentos, Tal ponto de vista carece ser modificado…

     
  3. Wilhelm

    19 fevereiro, 2009 at 12:03 AM

    Caro Robson,

    Agradeço primeiramente sua visita. Seja sempre bem-vindo.

    Não é de uma obra que estamos falando, apenas da crítica ao estilo. Auto-ajuda já é uma contradição lógica a priori; lançar um livro com esta categoria seria no mínimo paradoxal, em termos semânticos, mas este não é o fim.

    Tomando por partida que a realidade presente é construída através da transformação constante desta mesma realidade através das atitudes humanas, podemos concluir que, caso uma idéia viesse a tornar-se universal, não seria mera idéia, seria no mínimo uma ideologia, uma religião ou uma política. O mesmo não parece se aplicar, ao menos na prática, ao progresso, à ciência, à técnica.

    Não posso falar que o autor que influenciou a vida de um possa influenciar igualmente a vida de tantos outros. Não são muitos por aí defendendo as idéias de Hesíodo, Sófocles, Parmênides, Ésquilo, Homero, Eurípides ou Platão… personagens eternos da literatura universal.

    Basta que consideremos todas as opiniões. A escolha? Esta é pessoal e marca o signo de cada um por sua vida. E tão importante quanto o caminho a trilhar, é também conhecer o caminho a ser trilhado.

    “O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são.” (Protagoras)

     

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