
Tudo o que nos sobra falta a quem precisa.
O tempo não é longo ou curto, o tempo é uma idéia, um conceito. Segundos e minutos não existem quando o que vale é a intensidade com que se vive, e isto independe de tempo. Então o que pode interessar mais: o tempo ou os eventos? Tempo é um registro na história, uma marca definida pela significância do momento. Não haveria como definir tempo sem uma referência, um uso, uma utilidade. Seguindo este raciocínio, qual é a utilidade do tempo então?
O tempo não importa no passado, e não importa no futuro. Este eterno transformador participa como testemunha de tudo o que cerca a vida, carrega a tudo mas nunca é igual para todos. Daí como melhor então testemunhar o tempo senão preenchendo a vida de qualidade?
Quanto tempo mais então esperar apenas como testemunha de tudo o que queremos mudar? Que sinal poderia ser mais forte do que a certeza de querer que fosse diferente? O que poderia impedir alguém de tentar senão si próprio? É a ironia do medo pelos fantasmas inexistentes, da obediência inconseqüente, da bruxaria da modernidade, da conformidade negligente, do egoísmo e do falso-moralismo. É deixar encantar-se pela fantasia e desistir de construir e participar. É o querer mais do que o fazer.
Ah! Se os tantos gritos de folia por festas de carnaval fossem também ouvidos pela dor dos mesmos que festejam com tanta energia diante das injustiças de um país que insiste e teima em continuar amador. Quando os ídolos estão no esporte, nas artes, nas ciências, na música, no cinema, no consumo… e não no altruísmo. Na medalha, no gol, na obra, nas linhas, nas fórmulas, nas notas, na interpretação… e não na bravura e coragem para dizer basta… o que concluir? Talvez se os gritos de dor fossem tão altos quanto os de festa e tão incômodos à minoria quanto à maioria, à regra quanto à exceção, talvez então a solidariedade e a bravura se manifestassem em proporções que pudessem mudar o rumo de um futuro tão incerto. Se estamos sempre mudando, por quê não mudar para o que acreditamos ser melhor?