“A alma não tem segredo que o comportamento não revele.” (Lao-Tsé)
Considero significante a diferença entre como se dizia há dez anos e como se diz. hoje a mesma coisa.. mas principalmente em como se pode dizer tudo o que se pensa. Gosto de ler quem pensa e quem ousa, e gosto de acreditar também que cada um (vizinho, irmão, pai, mãe, conhecido, amigo ou não) entende o mundo de forma única, incomparável e intransferível. Não é álbum de figurinhas da internet, não é lista de contatos virtuais, não é e-mail repetido, não é spam cotidiano… É o outro, aquele estranho diferente de tudo o que conhecemos. É o que muda todos os dias e questiona. Ao menos este existe. O que aprende.
Quem repete a coreografia da vida que é transmitida por tantas idéias influentes sem questionar a fundo a intenção das opiniões que defende, não escolhe: imita. Prefiro o que cria laços ao que une pontos. Nenhum menos importante que o outro.
Ter cultura não significa ser inteligente. Depende da cultura que se absorve e como se absorve esta cultura. Depende da atitude que se reflete nos atos em harmonia com as palavras. Quem fala da boca pra fora é um ator, ou podemos usar a origem desta palavra: hipócrita. Os primeiros participantes dos teatros gregos que utilizavam-se de sua habilidade teatral para lucrar-lhes bons empregos e responsabilidades que dependiam mais do que das palavras, mas das atitudes. Sofistas.
O bairrismo que existe dentro das pessoas que sabem da singularidade de cada sujeito é um dos primeiros indícios de preconceitos. Não é o (a) nordestino, o (a) paulista, o (a) imigrante, o (a) estrangeiro, o (a) mais, o (a) enos, o tudo ou o nada… é o indivíduo responsável por suas próprias ações. E isso é o que mais exige responsabilidade do mesmo sujeito… o conhecimento das coisas erradas e uma atitude nula diante delas torna o sujeito conivente com a situação. Não é? Quem reclama e nada faz, não tem nada melhor pra fazer.
A distinção entre as funções nem sempre é proporcional às capacidades do indivíduo. Tem gente fazendo mais do que pode e muito mais gente fazendo menos do que devia. Feio é quem nada faz e reclama de quem tenta. Minha conversa com estas pessoas não vai muito longe… até porque raros são os que conseguem compreender esta distinção, e mais raros ainda os que permanecem no recinto após perceberem.
Já disse para alguém, mas ainda não escrevi… que as coisas começam a viver em nós a partir do momento que deixam de existir fisicamente. É mais ou menos como o ditado: “só dá valor depois que perdeu”. Mas não exatamente…
Por mais que valorizemos, nem sempre valorizamos como poderíamos, deveríamos, gostaríamos ou conseguimos. Saber, parecer, dizer e ser não são sinônimos na prática. Mas é quando se percebe o fim que se dá valor à continuidade. Se concordar com isso, posso dizer que valorizo minha vida pois sei que vou morrer. Mas egoísmo tal que me prive de qualquer testemunho de vida por um medo que me foi plantado? Não, obrigado.
Sou completamente diferente de qualquer outra pessoa na minha individualidade, mas perfeitamente semelhante nas minhas funções… tenho mãos, dedos, membros, órgãos… tenho mais do que preciso, considerando tantos que vivem com menos do que possuo. Tenho menos do que gostaria, considerando os lugares que ainda quero conhecer, as pessoas com quem ainda não conversei, a ajuda que posso oferecer, o tempo que posso compartilhar, as palavras que posso escrever.
Como digo sempre: não confundam os sinônimos. E sugiro que leiam o ensaio sobre a cegueira, de José Saramago. E se cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é, não custa nada entender o que não é, ou ao menos tentar. Aprende-se com o que não se sabe, e não o contrário.
Bons Ventos,
Willy
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